sábado, 10 de agosto de 2013

Bem-estar de caprinos e ovinos: conceitos

Por Anamaria Ribeiro e Silvio Doria, Revista Cabra e Ovelha (http://www.cabraeovelha.com.br)
Os caprinos são animais dóceis, que interagem com os humanos e apresentam comportamento peculiar: gostam de caminhar, ficar na posição bipedal e são curiosos por natureza!
Já os ovinos, também dóceis, são mais reservados com relação à interação com humanos e preferem pastar com a cabeça baixa!
Ótimo, diriam alguns, mas isso não tem nada a ver com a criação comercial! Será?
Que os animais devem receber água e alimento, para se manterem saudáveis, todo mundo sabe. Que eles devem ter espaço suficiente e estar adaptados às condições climáticas e ao local onde são criados também... Além disso, eles devem ser tratados com respeito, sem serem sujeitados a dor, desconforto ou estresse...
Os cinco direitos dos animais...
Os cuidados com o bem-estar animal são direcionados para que a busca pelo aumento da produção de alimento e a necessidade da diminuição do custo de produção sejam mais éticos e propiciem produtos de qualidade e provenientes de animais que tenham suas necessidades respeitadas.
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Estes cuidados não são apenas a forma correta de tratar os animais: são abordados em legislação e, portanto, caso o produtor não os cumpra, pode ser penalizado.
Mas antes de falar em penalização, vamos começar do início...
A produção animal é uma atividade antiga e os caprinos e ovinos, particularmente, acompanham os humanos há milhares de anos. Ao longo dos tempos a produtividade aumentou, graças a avanços no conhecimento da criação dos animais, mas também pela alteração na forma com que foram selecionados naturalmente, para estarem mais aptos e adaptados.
A produção comercial de caprinos e ovinos objetiva principalmente a obtenção de carne, leite e outros produtos com possibilidade de comercialização, como a pele e o esterco, por exemplo.
Trabalhos na área de etologia - que é o estudo do comportamento animal, e do bem estar animal indicam que animais que tem seu bem-estar e comportamento respeitados são mais saudáveis, produzem mais, tanto em termos de quantidade como de qualidade.
Um exemplo é a relação direta entre a existência de problemas debilitantes, como claudicações devido a crescimento excessivo dos cascos, ou a existência de doenças que afetem a saúde do úbere em cabras e a redução significativa da produção de leite, assim como da sua qualidade, relatada em alguns estudos.
Mas qual é o conceito de bem-estar animal?
Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal o bem estar expressa como o animal está se ajustando às condições em que vive. Boas condições de bem estar estão relacionadas a animais saudáveis, confortáveis, bem nutridos, seguros e com comportamento normal.
Mas em suma, animais produtivos!

O início

Até a década de 60 do século passado a produção animal era pouco tecnificada e com baixa intensificação.
Com os avanços técnicos e a necessidade de produzir cada vez mais, alguns aspectos ficaram em segundo ou terceiro plano: é o caso do bem-estar animal.
As mudanças neste assunto começaram com o Relatório Técnico Brambell sobre um sistema de criação intensivo, em Londres, em dezembro de 1965. Este relatório estabelecia que os animais de produção deveriam receber cuidados específicos para garantir seu bem estar, uma lista de cuidados conhecida como “As 5 liberdades de Brambell’s”. Como resultado direto deste relatório foi montado um comitê parta cuidar destas questões. Em 1979 o Farm Animal Welfare Council publicou um texto próximo ao que é utilizo atualmente.
Os direitos dos animais
Segundo o Farm Animal Welfare Council, FAWC (2011), o bem estar animal, seja de animais de Produção, em transporte, na comercialização ou mesmo no local de abate, deve ter direito às denominadas 5 liberdades, que lhes garanta uma vida sem sofrimento desnecessário. Este conceito define padrões do que é aceitável em termos de respeito ao bem estar. As 5 liberdades formam um sistema para garantir uma cadeia de produção segura:
  • Animais livres de fome e sede – os animais devem ter acesso a água fresca e de boa qualidade e uma alimentação que permita sanidade e vigor; o dimensionamento e espaço de cochos e bebedouros é importante;
  • Animais livres de desconforto - os animais devem ser mantidos em ambiente apropriado, limpo e seco, com sombra e área de descanso; o ambiente térmico deve ser adequado, com cuidado com vento, calor e umidade excessivos; o espaço para os animais confinados deve permitir não apenas a acomodação de todos os animais, mas também que se esquivem de brigas;
  • Animais livres de dor, lesões ou doenças – prevenção de doenças e animais diagnosticados e tratados, quando for o caso; atenção para as doenças e disfunções características de animais de alta produção ou sobrealimentados, como a acidose, a mastite ou a urolitíase, por exemplo;
  • Animais livres para expressar seu comportamento característico – os animais devem ter espaço suficiente, em condições apropriadas, e estar próximos a outros animais (espécies gregárias); o enriquecimento ambiental é importante, sobretudo para animais confinados ou semi confinados;
  • Animais livres de medo e estresse – assegurar aos animas condições e manejo que evitem estresse; o manejo com separação por categorias e um bom tratador são muito importantes; o animal deve estar seguro do ataque de predadores.
  • Estes conceitos já são exigidos pelo mercado europeu.
No Brasil, a Instrução Normativa nº 56 (IN56) de 6 de novembro de 2008, estabeleceu as “Recomendações de Boas Práticas de Bem-Estar para Animais de Produção e de Interesse Econômico – REBEM”, abrangendo os sistemas de produção e o transporte.
Segundo a IN56 devem ser observados os princípios para a garantia do bem estar animal, transcritos abaixo:
  • Proceder ao manejo cuidadoso e responsável nas várias etapas da vida do animal, desde o nascimento, e durante a criação e transporte;
  • Possuir conhecimentos básicos de comportamento animal a fim de proceder ao adequado manejo;
  • Proporcionar dieta satisfatória, apropriada e segura, adequada às diferentes fases da vida do animal;
  • Assegurar que as instalações sejam projetadas apropriadamente aos sistemas de produção das diferentes espécies, de forma a garantir a proteção, a possibilidade de descanso e o bem-estar animal;
  • Manejar e transportar os animais de forma adequada para reduzir o estresse e evitar contusões e o sofrimento desnecessário;
  • Manter o ambiente de criação em condições higiênicas.
Ou seja, é obrigatório e as exigências brasileiras e internacionais nem são tão diferentes assim... É a aplicação das 5 liberdades...
Assim, os aspectos legais, com relação ao público consumidor e os aspectos técnicos devem ser observados.
O impacto econômico
Para muitos, o bem-estar dos animais e a alta produtividade são antagônicos, porém, estudos têm demonstrado que o estresse excessivo e a falta de condições adequadas de alojamento e manejo dos animais têm efeito negativo na produtividade e na qualidade dos alimentos. Equilíbrio pode ser a palavra chave...
Não podemos perder o foco na produção de alimentos, mas precisamos estar atentos à evolução do mercado: atualmente é - e cada vez mais será - importante ter uma produção sustentável (ambientalmente limpa, socialmente justa e economicamente viável) e os alimentos produzidos sem maus tratos aos animais e de forma saudável e sem estresse, ou seja, respeitando o bem-estar animal...
De acordo com o professor Mateus Paranhos da Costa, referência do comportamento e bem estar animal no Brasil, os conceitos de PRODUTIVIDADE, QUALIDADE e MERCADO estão relacionados ao bem-estar dos animais.
Ele dá um exemplo com cordeiros: um ovinocultor baseado apenas no critério do funcionamento biológico poderia concluir que o bem-estar de um grupo de cordeiros confinados, com alta restrição de espaço, é bom porque eles estão sendo bem alimentados, apresentam bom desenvolvimento e estão livres de doenças e injúrias.
Mas este ponto de vista ignora totalmente a psicológica dos cordeiros e a necessidade deles expressarem seus comportamentos naturais. Outros poderiam concluir que de fato o bem-estar desses cordeiros está criticamente ameaçado porque eles mostram sinais de frustração e desconforto.
Ou seja, em condições de mais conforto estes cordeiros poderiam expressar melhor seu potencial e talvez apresentar um maior ganho de peso!
Alguns estudos mostram que os consumidores em todo o mundo começam a exigir produtos que sejam "limpos, verdes e éticos", onde se preconiza o uso de práticas que minimizem ou evitem completamente tratamentos químicos e hormonais nos animais, preservando a saúde humana, o meio ambiente e que não comprometam o bem-estar dos animais. Consumidores também demonstram de uma forma cada vez mais evidente uma preocupação ética em relação à forma como as espécies de produção são mantidas, podendo inclusive se recusar a comprar ou a consumir produtos resultantes de certas práticas agropecuárias. Como a qualidade do alimento é hoje um assunto dos mais relevantes, tem gerado novas oportunidades de agronegócio.
Ainda, outro aspecto a ter em linha de conta é a legislação, que deve sofrer constante atualização em resposta às novas descobertas científicas e preocupações éticas da sociedade.
Se você pretende produzir caprinos ou ovinos e comercializar os seus produtos, o bem-estar dos animais já é uma necessidade!
Anamaria C. Ribeiro e Silvio Doria A. Ribeiro são Consultores da Capritec
anamaria@capritec.com.br e silvio@capritec.com.br

Nordeste produtivo: integração sequeiro-irrigação: potencializando a ovinocaprinocultura do Sertão São Francisco

Por Rafael Sene, Revista Cabra e Ovelha (http://www.cabraeovelha.com.br)

Nesta edição teremos um Pé na Estrada diferente. Ao invés de sair pela estrada em busca de projetos e personagens interessantes para o desenvolvimento da atividade, vou falar do que está acontecendo dentro da NOSSA porteira!

Como muitos sabem, além de colaborador da Revista Cabra e Ovelha também sou produtor de caprinos e ovinos, e deixei o estado de São Paulo para investir na região com maior potencial de crescimento da caprinovinocultura brasileira: o vale do São Francisco, um importante pólo Juazeiro-Petrolina, unindo os estados da Bahia e Pernambuco, com localização central da região nordestina, encravada no meio do sertão e abençoada pelas águas do Velho Chico.
Composta por diversas cidades circunvizinhas, que fazem da região uma potência agropecuária, vem há muito tempo chamando a atenção por seus projetos de fruticultura irrigada, sendo o maior exportador do Brasil em frutas como manga, melão, uva e etc. Atraindo grandes empresas do setor e cada vez mais investidores para a região.
Mas de uns tempos pra cá, um importante componente destas paragens começou ganhar importância nacional: o bode! Sim o bode, como são chamados por aqui, tanto o ovino como o caprino.
O Sertão do São Francisco possui um dos maiores rebanhos de ovinos do Brasil, e sem dúvida o maior rebanho de caprinos. Espécies que há séculos ocupam estas terras e agora buscam espaço no cenário do agronegócio.
Quantidade é o que se tem por estas bandas, mas precisamos e muito, profissionalizar a atividade, trabalhar a qualidade do produto ofertado, a regularidade da produção e a padronização de carcaça de cabrito e cordeiro produzidos. Criar modelos de produção, transformar o sertanejo, hoje criador de bode, em produtor rural com mentalidade de empresário do campo!
Como costumo dizer, temos que transformar o potencial da região, em potência propriamente dita! E digo sem medo de errar, o potencial para ovinocaprinocultura é imenso, são características únicas... mas ainda temos muito trabalho pela frente.
Em um primeiro momento podemos pensar que o grande responsável por isto é a irrigação, possibilitando a produção de muito verde para alimentação dos animais. Mero engano, pois terras produtivas existem em muitos lugares do Brasil, com boas pastagens, alimento em abundância, produção de grãos e tradição na pecuária. A riqueza da região é o sertão! O diferencial está no sequeiro, no meio da caatinga, a potência é exatamente o bioma único que a região proporciona para os caprinos e ovinos.
E não teime, a região é para o bode... este sequeiro é rico em proteína, com vegetação arbustiva, chão seco, sol intenso e muito, mas muito, calor. Resumindo, o ambiente ideal para o bode! Não à toa, existem milhões de cabeças de ovinos e caprinos na região. Aí sim está a diferença: aqui tem rebanho, tem volume de produção... aqui é a terra do bode!!!
Mesmo na seca que vem maltratando estas terras nos últimos anos, o bode tá vivo e gordo. Tendo água pra beber e saciar a sede, comida não falta. Tem muita folha na caatinga, tem flores e frutos caindo, tem comida de alta proteína para se alimentar. A aptidão para região é a ovinocaprinocultura, em muitos casos esta é a única opção de negócio para as propriedades.
É preciso organizar, trabalhar, estruturar as fases da cadeia, buscar um modelo de criação, transformar a produção de subsistência do sequeiro em atividade de inclusão do pequeno produtor no agronegócio; montar uma ovinocaprinocultura empresarial, composta por vários elos de uma mesma cadeia de negócios.
O que temos feito no Projeto AgroCuraçá é uma parte de todo este processo, trabalhando com sistema de parcerias com produtores da região, organizando a produção e estruturando um sistema de criação que integre a área irrigada com o sequeiro. Sabemos que é um projeto de longo prazo para chegarmos à qualidade que objetivamos.
Hoje, temos na caatinga produtores de ovinos e caprinos que trabalham dentro da sua realidade e perspectivas de mercado com venda local, onde temos baixos índices produtivos, alta mortalidade, pouca utilização de tecnologias, com rebanhos sem raça definida e criados extensivamente.
Nossa proposta com estes produtores não é de ensiná-los a criar, porque isto eles sabem e tem muito a nos ensinar, a ideia é implementar medidas onde, com pouco investimento e algumas ações, podemos mudar sensivelmente esta situação.
Primeiramente a parceria de comercialização com o compromisso dos dois lados, onde ajudamos o produtor a produzir e garantimos a compra dos animais no desmame, e da mesma forma o produtor se empenha para produzir a qualidade que o mercado quer e vende sua produção para nós.
Realizamos orientações aos produtores em visitas técnicas e reuniões, por consequência, entramos com algumas ações como seleção do rebanho e melhoramento genético, com o empréstimo de reprodutores Boer aos produtores, garantindo assim um melhor desempenho dos cabritos na fase de engorda.
Anteriormente os animais nascidos na propriedade eram soltos na caatinga após a desmama, sendo abatidos apenas quando adultos, com uma carne de qualidade inferior ao gosto do mercado comprador. E o pior, a mortalidade destes rebanhos com números em torno de 70%, dados oficiais e comprovados em nossas andanças pelo sertão.
Hoje, ao comprarmos os animais no desmame temos quase 100% de liquidez no rebanho do produtor, que tem um novo horizonte em um mercado ainda pouco conhecido por ele. Uma possibilidade de vender toda sua produção praticamente sem perdas e em um ciclo mais curto, fazendo com que a propriedade se especialize com a fase de cria; forma-se aí um elo forte da cadeia. O produtor se especializa, capitaliza e entra no mercado, reinvestindo, melhorando de vida e permanecendo no campo.
Se o sequeiro é a grande máquina produtora, o Rio São Francisco é o grande fator que potencializa, transformando uma região onde EXISTE muito bode, em uma região capaz de PRODUZIR muito cabrito e cordeiro. É um somatório de virtudes, combinação quase única no mundo e que credencia o Vale e o Sertão do São Francisco em destaque na ovinocaprinocultura mundial.
Da caatinga, os cabritos desmamados são levados para a área irrigada, realizando de fato a integração das 02 fases. Cabritos saudáveis e bem nutridos, animais jovens e melhorados geneticamente, nascidos no sequeiro, agora sendo engordados em fazendas que se especializaram na produção de alimento e muito verde nas áreas irrigadas.
Na fazenda Adeilma, em Curaçá/BA, distante 90 Km de Juazeiro, o projeto está sendo desenvolvido com uma proposta de modelo de criação com a implementação de 40 hectares de áreas irrigadas, onde se prioriza o plantio de leucena para pastoreio dos animais como excelente fonte de proteína, além de gramíneas consorciadas. Somado à isso, campos de palma serão implantados, formando 20 hectares, que servirão de fonte de energia no balanceamento nutricional dos animais, sem contar nas reservas estratégicas de capim Napier e cana.
O conceito da criação é trabalhar em sistema semi-extensivo, com toda produção de alimentos dentro da própria fazenda, independendo de variação de preços de grãos, e partindo para uma alimentação mais saudável, respeitando hábitos alimentares e o bem estar animal. A fazenda, na área irrigada, se especializa em produzir alimentos e na engorda e terminação de cabritos e cordeiros, partindo do mesmo princípio de formar outro elo forte da cadeia.
Outros elos fazem parte deste processo, antes e depois da produção: empresas, universidades, centros de pesquisa, governo, associações, frigoríficos e abatedouros, comércio e o principal - quem decide, o consumidor. Simples assim, vários elos, cada um fazendo sua parte.
O Sertão do São Francisco nos últimos tempos tem visto o desenvolvimento de alguns projetos na região com esta finalidade de organizar a produção, visando o potencial da ovinocaprinocultura, atraindo investidores e desenvolvimento. Transformando estas terras em destaque na produção de carne de cordeiro e cabrito, se inserindo no cenário do agronegócio através desta eficiente integração sequeiro-irrigação.

Rafael Sene é colaborador da Revista Cabra & Ovelha, ovinocaprinocultor, inspetor de registro da ABCC, integrante da comissão técnica da ACCOSSF, médico veterinário com Especialização em Produção e Reprodução de Caprinos e Ovinos, e MBA em Agribusiness na FGV.
rafaelsene@yahoo.com.br

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Requisitos sanitários para sêmen de caprinos e ovinos está em consulta pública


Mapa receberá contribuições ao projeto de Instrução Normativa sobre processamento e comercialização de material de reprodução dessas espécies por 60 dias
Está em consulta pública a proposta de Instrução Normativa (IN) que estabelece os requisitos sanitários para processamento e comercialização de sêmen de caprinos e ovinos.  O texto foi publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nesta segunda-feira, 7 de janeiro, no Diário Oficial da União (DOU).
Os requisitos presentes na proposta de IN estão alinhados ao código sanitário da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para a atividade. De acordo com a chefe da Divisão de Fiscalização de Material Genético e Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária, Daniela Lacerda, existem regras para outras espécies e a IN ajudará a organizar a cadeia de produção de sêmen de ovinos e caprinos, estabelecendo critérios adequados à realidade brasileira.
O texto define que a colheita, processamento, distribuição e comercialização de sêmen dessas espécies somente poderão ser realizadas em Centros de Coleta e Processamento de Sêmen (CCPS). Além disso, a norma define qual o procedimento para ingresso de animais no rebanho de quarentena no CCPS, exames para controle de doenças e adição de antibióticos durante o processamento do sêmen.
A Coordenação de Trânsito e Quarentena Animal (CTQA/Mapa) receberá sugestões à IN por 60 dias, a contar a partir da publicação no DOU, por carta ou e-mail. O texto do projeto está publicado no portal do Mapa, no link Legislação, menu Consulta Pública.
Mais informações para a imprensa:
Assessoria de Comunicação Social
(61) 3218-2205
Carlos Américo
carlos.americo@agricultura.gov.br

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Apresentação das próximas ações do Programa Bioma Caatinga


Prezados Membros do Comitê Programa Bioma Caatinga,
Em continuidade aos trabalhos do Programa Bioma Caatinga, é chegada a hora das pactuações com os parceiros institucionais, a exemplo da Fundação Banco do Brasil e do Governo do Estado e na sequência com os demais parceiros.
Acontecerá no dia 03.12.2012 (próxima segunda feira), as 11:00 h. na Fundação Luiz Eduardo Magalhães - FLEM, Centro Administrativo, na Capital Salvador, a solenidade de pactuação do Bioma Caatinga, esta pactuação tem como objetivo apresentar a sociedade e aos caprinovinocultores as ações que serão executadas e viabilizadas pela Fundação Banco do Brasil e Governo do Estado.
Precisamos garantir a participação do Comitê e do público beneficiado pelo Programa nesse Município e ficou definida e vinda à Salvador de 05 Caravanas de beneficiários do Bioma Caatinga, sendo uma de cada um dos municípios participantes: Juazeiro, Casa Nova, Remanso, Curaçá e Uauá.
Pedimos o seu especial empenho na mobilização e participação, em conjunto com o Banco do Brasil, SEBRAE e Comitê Gestor Local do Bioma. Os Municípios onde já foi realizada a seleção e capacitação dos ADRs (Uauá, Curaçá e Casa Nova), importante que os mesmos se desloquem na caravana, bem como que tragam representantes dos seus territórios de atuação.
As caravanas deverão sair das respectivas localidades no domingo a noite, de modo a estarem em Salvador na manhã da segunda-feira, 03/12, data do evento. A estrutura de recepção, café da manhã e almoço está sendo preparada no próprio local do evento e o esquema de transporte, estaremos informando até o dia 29/11, quinta-feira próxima.

Armando Soares e Silva Filho Gerente de Negócios-DS/Pronaf
Coordenador do Comitê Estadual – Bioma Caatinga

Carlos Roberio dos Santos Araújo
Analista SEBRAE UR – 06 – Juazeiro
Secretario Geral - Comitê Estadual – Bioma Caatinga

Caprinovinocultura como agronegócio: integração caatinga/pastagens irrigadas

O mercado da carne ovina está crescendo a passos largos, em função da grande aceitação deste produto pela sociedade brasileira, notadamente, o da Região Nordeste. Isto se reflete no surgimento de vários pontos de vendas e restaurantes especializados, principalmente nos grandes centros urbanos. Paralelamente, aparecem as construções e a implantação de abatedouros, frigoríficos e curtumes, específicos para carnes, vísceras e peles de ovinos na Região, caracterizando como uma forte sinalização de estímulo e garantia para o desenvolvimento do respectivo setor produtivo. Assim, há necessidade de práticas alternativas que permitam ao produtor ofertar cordeiros para o abate, capazes de atender às necessidades do mercado de carne, tanto em termos quantitativos quanto qualificativos (EMBRAPA/Caprinos: Circular Técnica Nº 28).
Um sistema de integração sequeiro/irrigação para produção de caprinos e ovinos pode viabilizar o abate dos animais com seis a sete meses de idade e é mais competitivo que o sistema tradicional da caatinga, onde os animais vão para o abate com dois ou mais anos (EMBRAPA/Semi-árido: Instruções Técnicas Nº 70).
A prática da terminação de cordeiros em confinamento constitui-se numa alternativa ímpar que deve ser disponibilizada e recomendada especialmente para o semi-árido do Nordeste brasileiro (EMBRAPA/Caprinos: Circular Técnica Nº 28).
Portanto, uma integração entre os produtores que criam nas áreas de sequeiro (caatinga) e produtores que possuem pastagens irrigadas no Vale do São Francisco, pode ser o modelo de produção para transformarmos o Sertão do São Francisco no maior produtor das carnes caprinas e ovinas.
Só vamos atingir o mercado consumidor se pudermos garantir regularidade na oferta, padronização de carcaças, precocidade dos animais, acabamento e quantidade. Só chegaremos a esse nível com os centros de terminação.
Acreditamos que este modelo de produção seja o mais indicado, pois contempla tão o empresário, quanto o pequeno produtor que está na caatinga.
Cabe ressaltar, que a terminação em pastagens cultivadas possui algumas limitações, tais como: disponibilidade de terra fértil e água em abundância para irrigação, papel do empresário.
O pequeno produtor não quer mais só sobreviver no campo, ele quer progresso econômico, social e cultural, quer ser inserido no agronegócio. Muitos pregam que o Brasil será o celeiro mundial, irá produzir comida para o resto do mundo.
Logo, o criador de caprinos e ovinos das caatingas (sequeiro) exige que seja inserido nesse processo, dando a sua contribuição, produzindo o cabrito e o cordeiro que será terminado e enviado para os mais diversos mercados consumidores.
Marcos Rogério Cipriano
Presidente da ACCOSSF

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Eleita nova diretoria da ACCOSSF

Nessa segunda-feira, quando a ACCOSSF - Associação de Criadores de Caprinos e Ovinos do Sertão do São Francisco completou 2 anos, encerrou-se o mandato da diretoria e, em Assembléia, foi eleita a chapa responsável pela gestão da Associação nos próximos 2 anos. A nova diretoria é a seguinte:
CHAPA

Presidente- Marcos Rogério Cipriano
Vice-Presidente- Juvêncio Coelho
Primeiro-Secretário- Cândido José
Segundo-Secretário- Ivanildo Almeida Lima
Primeiro-Tesoureiro- Geraldo Araújo dos Santos
Segundo-Tesoureiro- José Flávio Farias
Diretor Técnico- Sílvio Dória
Diretor de Eventos- Zilton Alves Filho.
Conselho Fiscal: Sérgio Lima, Salvador Júnior, Uatani Laércio
Suplentes – Conselho Fiscal: Joselito Evangelista, Adilson Souza

E vamos em frente...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Seguro-Bode


Clovis Guimarães Filho
Os governos, federal, estaduais e municipais, pagaram seguro garantia-safra a mais de 700 mil agricultores familiares do semiárido na safra 2010-2011 e, por incrível que pareça, ainda fazem ruidosa publicidade dessa ação que pode ser considerada como um prêmio a um insucesso planejado. O foco central dos debates é equivocado. Não se discute a produção e o que precisa ser feito para incrementá-la. Praticamente não se vê nos noticiários publicidade sobre tonelagens recordes, ou mesmo normais, de milho e feijão produzidas, apenas quantas mil famílias foram “beneficiadas” com os programas de distribuição de sementes ou com o pagamento do seguro. Bastante compreensível a omissão, considerando que os cultivos de milho e do feijão no semiárido só têm chance de sucesso em três de cada dez anos de cultivo. O problema é que o seguro garantia-safra é aplicado para qualquer área do semiárido, sem critério claro de zoneamento e na grande maioria dos cultivos, nas zonas mais secas, o agricultor familiar não conta com qualquer apoio técnico capaz de, pelo menos, fazê-lo associar alguma técnica de preparo do solo para captar e armazenar um pouco mais da pouca água que cai, nem mesmo uma simples curva de nível.  Um estudo da Embrapa indica que essas culturas são de muito baixa viabilidade em mais da metade da área do semiárido, aquela correspondente às áreas consideradas no estudo como de “baixa oferta ambiental”. Somente no estado do Piauí o governo já pagou mais de 120 milhões de reais aos agricultores por perdas na safra no período 2003 a 2010. Dos mais de 68 mil agricultores inscritos no Garantia Safra 2010-2011, apenas 338 (meio por cento) conseguiram salvar mais de 50% da produção esperada. A apicultura piauiense sofre um dos seus maiores prejuízos com a falta de chuvas. Foram 230 toneladas exportadas pela central APIS em 2011 e apenas 3 toneladas agora em 2012. Um desastre para os milhares de apicultores do semiárido piauiense. Para isso não há “seguro garantia safra”. Nos casos do milho e feijão, pode-se afirmar que, de certa forma, eles foram induzidos a plantar o que não deveriam plantar. Em Pernambuco, dos 66 municípios inscritos, 52 comunicaram perdas ao MDA. Por que a persistência com este programa que estimula o cultivo do que não dá para pagar o seguro porque não deu? Por que não limitam o seguro às áreas onde essas colheitas sejam agronomicamente mais viáveis e nas áreas mais secas implantam um seguro mais coerente com aquilo que realmente é estratégico para a vida do produtor que nelas habita, como o caprino, o ovino, o mel, a galinha e o umbu. Seria um programa que poderia genericamente se chamar seguro “garantia-bode” ou “seguro-bode”, o que sintetiza aquilo que realmente o produtor familiar precisa, pois quando a falta de chuvas induz uma escassez desses produtos, o produtor e sua família têm realmente comprometida a sua sobrevivência. Todo o mundo sabe do valor do bode como o principal fator de fixação do caatingueiro, mas, até hoje, nenhum programa massivo de formação de reservas de forragem para o período seco foi implementado. Alguém sabe qual foi o estoque estratégico, em toneladas de silagem ou de feno ou de palma ou de palhadas, montado pelos estados do Nordeste para enfrentar o período seco de 2011? E para 2012, quais são as metas previstas? Parece que a ocorrência de uma seca sempre nos pega de surpresa. Na contra-mão, os programas estaduais de “melhoramento genético dos rebanhos” continuam cada vez mais fortes, agravando ainda mais o problema da criação nos períodos de escassez, já que, sem ações simultâneas de melhoria da alimentação e manejo, tais programas contribuem apenas para reduzir o caráter rusticidade dos rebanhos miscigenados, tornando-os bem mais vulneráveis às estiagens. Sem falar na contínua erosão genética que descaracteriza o tipo naturalizado do caprino da caatinga cuja carne apresenta inegável potencial de conquistar os mais exigentes mercados. As armas efetivamente estratégicas contra as secas devem residir em planos microrregionais ou territoriais articulados das secretarias estaduais de agricultura com os municípios e as organizações de produtores, tendo por base o reconhecimento das secas como fatores normais de produção e não como anormalidades. O continuísmo de programas que priorizam a distribuição indiscriminada de sementes de milho e feijão, de animais “melhoradores”, de carros-pipa, de cestas básicas, de bolsas isso e bolsas aquilo apenas sugere a incompetência dos governos e principalmente, o completo desconhecimento do potencial em recursos naturais e humanos do semiárido para seguir um caminho mais compatível com as demandas de suas populações. O nosso desafio é adequar as inovações e as políticas públicas às circunstâncias e potencialidades dos produtores de base familiar do semiárido, tomando em consideração suas instituições, sua racionalidade, seu limitado acesso a insumos e a assistência técnica e os recursos disponíveis na propriedade. No semiárido, como em qualquer outra região, cada ação ou etapa desse trabalho, inclusive a introdução de novas tecnologias, deve ter seu tempo certo e seu espaço adequado para execução. Em suma, não podemos continuar alterando o ecossistema para adaptar pseudo-soluções exógenas. As verdadeiras soluções estão aí, bem a nossa frente. Só precisamos aprender a enxergá-las. Urgentemente, já que a caatinga está sendo dizimada a um ritmo próximo aos 300 mil hectares anuais.
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1 Médico-Veterinário, M.Sc. em Animal Science, ex-pesquisador da Embrapa, consultor do Projeto Bioma Caatinga-BA